A constipação intestinal não significa apenas ficar vários dias sem evacuar. Muitas pessoas conseguem ir ao banheiro com frequência, mas ainda apresentam sintomas como fezes endurecidas, necessidade de fazer muita força, sensação de evacuação incompleta, dificuldade para eliminar as fezes ou sensação de bloqueio na região anal.

Quando isso acontece, o problema pode não estar apenas na alimentação ou no funcionamento do intestino. Em alguns casos, a dificuldade está relacionada ao assoalho pélvico, conjunto de músculos que também participa do processo de evacuação.

Qual a relação entre o assoalho pélvico e a evacuação?

Para evacuar de maneira adequada, o organismo precisa realizar uma sequência coordenada de movimentos. O abdômen participa da geração de pressão, enquanto os músculos do assoalho pélvico e da região anal precisam relaxar para permitir a passagem das fezes.

Quando essa coordenação não acontece corretamente, a pessoa pode fazer força, mas sentir que as fezes não conseguem sair.

Essa alteração pode estar relacionada à chamada dissinergia do assoalho pélvico ou dissinergia evacuatória.

Na prática, é como tentar empurrar as fezes para fora enquanto a musculatura responsável pela saída continua contraída.

Quais sinais podem indicar dificuldade de evacuação relacionada ao assoalho pélvico?

Alguns sintomas merecem atenção:

  • necessidade frequente de fazer muita força para evacuar;

  • permanecer muito tempo sentada no vaso sanitário;

  • sensação de que ainda ficou fezes no reto após evacuar;

  • sensação de bloqueio na saída das fezes;

  • necessidade de realizar várias tentativas para conseguir evacuar;

  • evacuação dolorosa;

  • fezes muito endurecidas;

  • necessidade de utilizar manobras para facilitar a saída das fezes;

  • constipação que não melhora mesmo com aumento da ingestão de fibras;

  • histórico de constipação há muitos anos.

A presença desses sintomas não significa necessariamente que exista uma alteração do assoalho pélvico, mas pode indicar a necessidade de uma avaliação mais detalhada.

Comer fibras resolve a constipação?

As fibras são importantes para o funcionamento intestinal e fazem parte das orientações para muitas pessoas com constipação.

Porém, nem toda constipação acontece pela mesma causa.

Quando existe dificuldade para relaxar ou coordenar a musculatura durante a evacuação, aumentar a quantidade de fibras isoladamente pode não resolver o problema.

Por isso, é importante entender o que está dificultando a evacuação antes de definir a melhor estratégia de tratamento.

Fazer muita força para evacuar é normal?

Fazer força excessivamente e de maneira frequente não deve ser considerado normal.

Além de indicar que alguma etapa da evacuação pode não estar funcionando adequadamente, esse hábito pode aumentar a pressão sobre estruturas do assoalho pélvico.

O objetivo de uma evacuação funcional é que exista uma boa coordenação entre respiração, pressão abdominal e relaxamento do assoalho pélvico, permitindo a saída das fezes sem esforço exagerado.

O que é dissinergia evacuatória?

A dissinergia evacuatória acontece quando existe uma alteração na coordenação dos músculos durante a evacuação.

Em vez de relaxar no momento adequado, parte da musculatura pode permanecer contraída ou até aumentar sua contração.

Isso pode provocar:

  • esforço excessivo;

  • evacuação demorada;

  • sensação de obstrução;

  • sensação de evacuação incompleta;

  • dificuldade para eliminar as fezes mesmo quando existe vontade.

Alguns pacientes convivem com esse padrão durante muitos anos sem perceber que a musculatura está participando do problema.

Como a fisioterapia pélvica pode ajudar na constipação?

A fisioterapia pélvica busca identificar como os músculos estão funcionando durante o processo evacuatório.

Durante a avaliação, podem ser analisados aspectos como:

  • tônus muscular;

  • capacidade de contração e relaxamento;

  • coordenação do assoalho pélvico;

  • padrão respiratório;

  • comportamento durante a evacuação;

  • mobilidade da região pélvica;

  • hábitos intestinais.

A partir dos achados, o tratamento é individualizado.

Entre os recursos que podem ser utilizados estão treino de relaxamento muscular, exercícios respiratórios, reeducação da dinâmica de evacuação, orientações de posicionamento no vaso sanitário, terapia manual e biofeedback, quando indicado.

O objetivo não é simplesmente fortalecer o assoalho pélvico.

Em muitos casos de constipação, o mais importante é ensinar a musculatura a relaxar e coordenar corretamente no momento da evacuação.

Biofeedback pode ajudar na dificuldade para evacuar?

O biofeedback é um recurso que pode ser utilizado na fisioterapia para auxiliar o paciente a perceber melhor o funcionamento da musculatura.

Durante o treinamento, é possível trabalhar a consciência corporal e a coordenação entre abdômen, respiração e assoalho pélvico.

Esse recurso pode ser especialmente interessante nos casos de alterações do padrão evacuatório e dissinergia.

Qual é a melhor posição para evacuar?

A posição utilizada no vaso sanitário também pode influenciar a evacuação.

Apoiar adequadamente os pés, permitir uma posição confortável dos quadris e evitar prender a respiração ou realizar força excessiva são alguns dos pontos que podem ser trabalhados durante o tratamento.

Entretanto, não existe uma única orientação que resolva todos os casos. A estratégia deve considerar os sintomas e a avaliação de cada pessoa.

Quando procurar uma fisioterapeuta pélvica?

Vale procurar uma avaliação quando existe dificuldade persistente para evacuar, principalmente se você:

  • faz muita força;

  • sente que o intestino nunca esvazia completamente;

  • demora muito tempo no banheiro;

  • sente que as fezes chegam até a saída, mas não conseguem passar;

  • apresenta constipação recorrente;

  • já aumentou fibras e água, mas continua com dificuldade.

Em alguns casos, a investigação também pode envolver acompanhamento com gastroenterologista ou coloproctologista e exames específicos, como a manometria anorretal.

Constipação tem tratamento

Conviver durante anos com dificuldade para evacuar não significa que esse funcionamento seja normal.

A constipação possui diferentes causas e, quando existe participação do assoalho pélvico, a fisioterapia pode fazer parte do tratamento.

Se você apresenta esforço excessivo, evacuação incompleta ou sensação de bloqueio para eliminar as fezes, uma avaliação especializada pode ajudar a identificar como sua musculatura está funcionando e quais estratégias são mais adequadas para o seu caso.

Está com dificuldade para evacuar? Agende uma avaliação de fisioterapia pélvica em Santo André e entenda se o seu assoalho pélvico pode estar participando da constipação.