Você tem endometriose e sente dor durante a relação sexual?

Talvez você já tenha percebido que algumas posições incomodam mais, que a penetração profunda provoca uma pontada ou pressão no fundo da pelve ou até que, depois da relação, a região fica dolorida por algumas horas.

Para muitas mulheres com endometriose, essa situação acaba se tornando tão frequente que elas começam a evitar relações, ficam tensas antes mesmo da penetração ou passam a acreditar que sentir dor faz parte da doença.

Mas dor na relação sexual não deve ser normalizada.

A endometriose pode causar alterações que vão muito além das cólicas menstruais. Ela pode estar relacionada à inflamação, fibrose, restrições de mobilidade dos tecidos pélvicos e alterações da musculatura do assoalho pélvico.

É justamente nesse ponto que a fisioterapia pélvica para endometriose pode fazer parte do tratamento.

Por que a endometriose pode causar dor na relação?

A dor durante a relação sexual é chamada de dispareunia.

Ela pode acontecer logo na entrada da vagina, chamada de dispareunia superficial, ou aparecer principalmente durante a penetração mais profunda, chamada de dispareunia profunda.

Nas mulheres com endometriose, diferentes fatores podem contribuir para essa dor.

A própria localização das lesões, processos inflamatórios, fibrose e alterações na mobilidade de estruturas da pelve podem gerar desconforto.

Mas existe outro fator muito importante: a musculatura do assoalho pélvico.

Imagine uma mulher que sente dor todas as vezes que ocorre uma penetração profunda.

O corpo começa a entender aquele movimento como uma ameaça.

Como mecanismo de proteção, os músculos ao redor da vagina e da pelve podem ficar cada vez mais contraídos.

Com o tempo, pode surgir:

  • dificuldade para relaxar durante a relação;

  • sensação de que a vagina está “fechada” ou tensa;

  • dor na entrada vaginal;

  • dor profunda durante determinadas posições;

  • ardência;

  • dor após a relação;

  • sensação de peso ou pressão na pelve;

  • medo ou ansiedade antecipando a penetração.

Por isso, muitas vezes existe um ciclo:

dor → contração muscular → aumento da sensibilidade → mais dor.

E quebrar esse ciclo é um dos objetivos da fisioterapia pélvica.

E as aderências causadas pela endometriose?

A endometriose também pode estar associada à formação de fibrose e aderências entre os tecidos da pelve.

Estruturas que normalmente apresentam certo grau de movimento podem ficar com sua mobilidade diminuída.

É comum algumas pacientes descreverem sensações como:

“Parece que alguma coisa está puxando por dentro.”

“Sinto uma dor profunda quando meu parceiro penetra mais.”

“Algumas posições são impossíveis para mim.”

“Parece que minha pelve está presa.”

Essas informações são importantes durante a avaliação fisioterapêutica.

A fisioterapia não remove os focos de endometriose e também não é correto dizer que uma técnica manual consegue simplesmente “quebrar” uma aderência profunda.

O que conseguimos avaliar é como os tecidos estão se movimentando, quais regiões apresentam restrições, quais músculos estão excessivamente tensos e quais movimentos reproduzem a dor da paciente.

A partir disso, podemos trabalhar os componentes musculares e miofasciais associados aos sintomas.

O que é a mobilização do Ligamento Largo?

Uma das técnicas que pode fazer parte do tratamento fisioterapêutico é a mobilização da região do ligamento largo do útero.

O ligamento largo é uma estrutura relacionada à organização e sustentação das estruturas pélvicas ao redor do útero.

Em algumas pacientes com endometriose, podemos encontrar alterações de mobilidade e maior sensibilidade em determinadas regiões da pelve.

Através de técnicas manuais suaves e individualizadas, podemos trabalhar essa mobilidade.

O objetivo da técnica não é “arrancar” ou romper uma aderência.

O objetivo pode incluir:

  • melhorar a mobilidade dos tecidos;

  • diminuir tensões na região pélvica;

  • favorecer o deslizamento entre estruturas;

  • reduzir pontos de maior sensibilidade;

  • melhorar a percepção corporal;

  • diminuir a resposta de proteção muscular;

  • favorecer o relaxamento do assoalho pélvico.

Nem toda mulher com endometriose precisa dessa técnica.

A indicação depende da avaliação individual realizada pela fisioterapeuta pélvica.

Por que algumas mulheres sentem melhora depois da terapia manual?

Quando existe dor há bastante tempo, o sistema muscular e o sistema nervoso podem ficar mais sensíveis.

Por isso, às vezes o problema não está apenas no foco de endometriose.

Podemos encontrar também:

músculos excessivamente contraídos, pontos dolorosos, dificuldade de relaxamento, alterações respiratórias, tensão abdominal e restrições de mobilidade na pelve.

Quando começamos a devolver movimento e diminuir a tensão dessas estruturas, muitas pacientes relatam sensação de:

“Minha barriga ficou mais leve.”

“Parece que soltou uma tensão.”

“Não sinto mais aquela pressão tão forte.”

“Consegui ter relação com menos dor.”

Isso não significa que a endometriose desapareceu.

Significa que conseguimos trabalhar uma parte importante dos mecanismos que estavam contribuindo para a dor.

Como é o tratamento de fisioterapia pélvica para endometriose?

Não existe uma única técnica que funcione para todas as mulheres.

Durante a avaliação, é importante entender exatamente como a sua dor acontece.

Por exemplo:

A dor aparece na entrada ou no fundo da vagina?

Acontece em todas as posições?

Existe dor depois da relação?

Você sente cólica muito intensa?

Existe dor para evacuar?

Sente a pelve pesada ou tensionada?

Já realizou cirurgia para endometriose?

Existe medo da penetração?

Seu assoalho pélvico consegue relaxar?

A partir dessas respostas e da avaliação física, o tratamento pode envolver diferentes estratégias.

Terapia manual

Pode ser utilizada para trabalhar mobilidade abdominal, pélvica, cicatrizes e regiões que apresentam maior tensão ou restrição de movimento.

Relaxamento do assoalho pélvico

Uma informação importante: nem toda mulher precisa fortalecer o períneo.

Quando existe aumento excessivo da tensão muscular, fazer apenas exercícios de contração pode inclusive aumentar o desconforto.

Nesses casos, primeiro precisamos ensinar essa musculatura a relaxar.

Liberação de pontos dolorosos

Alguns músculos do assoalho pélvico podem desenvolver regiões extremamente sensíveis que reproduzem a dor sentida durante a relação.

Trabalhar esses pontos pode ajudar a diminuir a resposta dolorosa.

Respiração e mobilidade

O diafragma respiratório, abdômen e assoalho pélvico trabalham de forma integrada.

Por isso, exercícios respiratórios e de mobilidade também podem fazer parte do tratamento.

Retorno gradual à relação sexual

Quando existe dor há muito tempo, muitas mulheres passam a ter medo da penetração.

O tratamento também pode incluir estratégias graduais para recuperar confiança, conforto e controle sobre o próprio corpo.

Tenho endometriose profunda. A fisioterapia pélvica pode me ajudar?

Pode.

Principalmente quando existem sintomas como:

  • dor durante a relação sexual;

  • dor pélvica;

  • dificuldade para relaxar o assoalho pélvico;

  • dor para evacuar;

  • sensação de pressão na pelve;

  • dor em cicatrizes após cirurgia;

  • desconforto abdominal;

  • tensão muscular;

  • limitação de algumas posições durante a relação.

A fisioterapia pélvica não substitui o acompanhamento com o ginecologista.

Em casos de endometriose, o melhor tratamento geralmente é multidisciplinar.

“Mas minha médica disse que minha endometriose está controlada. Por que continuo sentindo dor?”

Essa é uma situação que encontro com frequência.

Mesmo depois do tratamento médico ou cirúrgico da endometriose, a musculatura pode continuar funcionando como se ainda precisasse proteger aquela região.

O corpo aprendeu a sentir dor e a se contrair.

Por isso, algumas mulheres apresentam melhora da doença e ainda assim continuam com:

  • dor na relação;

  • tensão do assoalho pélvico;

  • medo da penetração;

  • dor abdominal ou pélvica;

  • dificuldade para relaxar.

É nesse momento que olhar para a função muscular e para a mobilidade da pelve se torna especialmente importante.

A relação sexual não deveria ser um momento de medo

Se antes de uma relação você já está pensando:

“Será que hoje vai doer?”

“Essa posição eu não consigo.”

“Preciso pedir para ele não ir tão fundo.”

“Depois vou ficar com dor de novo.”

Seu corpo provavelmente já está entrando naquele momento em estado de proteção.

A fisioterapia pélvica busca justamente ajudar você a recuperar mobilidade, confiança, percepção corporal e capacidade de relaxamento.

Não significa que todas as dores vão desaparecer de uma hora para outra.

Mas você também não precisa simplesmente aceitar a dor como parte da sua vida sexual.

Fisioterapia pélvica para endometriose em Santo André

Se você tem diagnóstico de endometriose e apresenta dor na relação sexual, dor pélvica, dificuldade para relaxar durante a penetração ou sensação de tensão profunda na pelve, uma avaliação de fisioterapia pélvica pode ajudar a identificar quais componentes musculares e funcionais estão contribuindo para os seus sintomas.

No atendimento de fisioterapia pélvica em Santo André, cada paciente é avaliada individualmente, respeitando sua história, seus sintomas e seus limites.

O tratamento não é baseado apenas no diagnóstico de endometriose.

Nós tratamos como a endometriose está impactando o seu corpo e a sua qualidade de vida.

Se você sente dor durante a relação e quer entender o que pode estar acontecendo com seu assoalho pélvico, procure uma avaliação especializada.

Perguntas frequentes sobre endometriose e fisioterapia pélvica

A fisioterapia pélvica acaba com as aderências da endometriose?

Não. A fisioterapia não remove focos de endometriose nem deve ser apresentada como uma técnica capaz de eliminar aderências profundas. Podemos trabalhar mobilidade dos tecidos, tensão muscular e alterações funcionais associadas à dor.

Quem tem endometriose pode fazer liberação do ligamento largo?

Dependendo da avaliação, técnicas de mobilização dos tecidos relacionados ao útero podem fazer parte do tratamento. A indicação deve ser individualizada.

Endometriose pode deixar o assoalho pélvico contraído?

Sim. A dor persistente pode fazer com que o corpo desenvolva uma resposta de proteção e mantenha os músculos do assoalho pélvico excessivamente tensos.

Fisioterapia pélvica ajuda na dor durante a relação?

Quando existem componentes musculares, miofasciais e alterações de mobilidade envolvidos na dor, a fisioterapia pélvica pode ser uma importante parte do tratamento.

Preciso ter encaminhamento médico?

A necessidade de encaminhamento pode variar conforme cada situação. Em pacientes com suspeita ou diagnóstico de endometriose, é importante manter acompanhamento ginecológico associado ao tratamento fisioterapêutico.